sábado, 17 de maio de 2014

Marcha Mundial das Mulheres - fortalecimento dos movimentos sociais de genero

A Marcha Mundial das Mulheres nasceu no ano 2000 como uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo em uma campanha organizada a partir do chamado “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista”. A ação marcou a retomada das mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma crítica contundente ao sistema capitalista como um todo, e, a partir daquele ano, a MMM se constituiu como um movimento permanente.
Em 2010, foi realizada a 3ª Ação Internacional da Marcha. Mais de 52 países participaram, mobilizando mais de 38.000 mulheres. Foram elaboradas plataformas de reivindicações baseadas em quatro campos de ação: autonomia econômica das mulheres, bens comuns e serviços públicos, violência contra as mulheres, paz e desmilitarização.
No Brasil, entre os dias 8 e 18 de março, 3 mil mulheres marcharam entre Campinas e São Paulo, sob o lema “seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, afirmando o direito á auto-determinação das mulheres e a igualdade como base da nova sociedade que lutamos para construir.
Mulheres em movimento mudam o mundo!
Para combater o machismo e o capitalismo é necessário um movimento autônomo, popular e diverso. Constróem a MMM mulheres urbanas e rurais – camponesas, sindicalistas, jovens, lésbicas, negras e indígenas. Como mulheres auto-organizadas, construímos sínteses para fortalecer uma utopia comum, que busca conquistar igualdade real para todas as mulheres, não só para algumas.
A relação entre o movimento autônomo de mulheres e os movimentos mistos, assim como o fortalecimento dos movimentos sociais são estratégias fundamentais para garantir que as transformações propostas e realizadas incorporem a construção de igualdade como eixo central.
Atualmente a MMM está organizada em torno de uma plataforma política em 17 estados brasileiros. É um movimento aberto a todas as mulheres e coletivos feministas que compartilhem a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista, patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente.
Ofensiva contra o machismo!
“Somos mulheres e não mercadoria” é nossa palavra de ordem que expressa a essência de nossa luta contra o patriarcado, o capitalismo, o racismo e a homofobia. A tirania do mercado se ancora na exploração das mulheres, tratadas como um produto que se adapta às exigências do mercado.
A definição da “feminilidade” é marcada pela dependência em relação às expectativas masculinas, reais ou imaginadas. Basta olhar ao redor para perceber que estamos cercadas de produtos a serviço da “feminilidade”, que se baseiam na exploração e na naturalização dessa dependência. Na publicidade, a mulher é constantemente representada como um objeto de consumo, que, para ter valor, tem que seguir um padrão. Para atingir esse padrão, ela deve aceitar as condições do mercado e consumir uma enorme quantidade de produtos e serviços. As mulheres exibidas nessas propagandas viram “modelos de perfeição”, modelos que as mulheres perseguem como se fosse uma condição para sua realização.
Hoje, cada vez mais mulheres sofrem com transtornos alimentares como bulimia e anorexia, que estão entre as principais causas de morte de mulheres jovens. Essa feminilidade imposta é útil para a indústria da beleza. Remédios para emagrecer, moderar apetite, limpar a pele, e antidepressivos são oferecidos para as mulheres como soluções mágicas para se encaixar no padrão.
A ofensiva contra a mercantilização se constrói no cotidiano da atuação dos núcleos da MMM, com formações, ações diretas, batucadas feministas, manifestações etc. Esta agenda nos permite articular a crítica ao machismo a que todas nós estamos submetidas cotidianamente (que se manifesta em desqualificações, assédios e cantadas, coisificação pela mídia e publicidade, violência, controle da nossa sexualidade etc) ao sistema capitalista e patriarcal que se reproduz às custas da exploração do trabalho, do corpo e da vida das mulheres.
A luta contra a sociedade de mercado e a resistência à mercantilização do corpo e da vida das mulheres é um eixo fundamental para uma ação feminista que seja protagonista de uma transformação profunda da ordem social global e, também, para a construção de um feminismo não institucionalizado e militante.
Em marcha!
A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional e anti-capitalista. É um movimento permanente, composto por mulheres auto-organizadas em nível local, mas articuladas em processos nacionais e internacionais

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